segunda-feira, 12 de abril de 2010

"Sou livre, penso. Fecho os olhos e considero por instantes a ideia de liberdade. Não consigo entender direito o que significa ser livre. Entendo apenas que, neste momento, estou sozinho. Estou sozinho em terra estranha. Como um explorador que perdeu bússola e mapa. Ser livre é isso? Não sei. Desisto de pensar."

(Kafka à beira-mar, de Haruki Murakami, p.58)

domingo, 11 de abril de 2010

eu nunca me vesti bem. ou, pelo menos, não ligo pra isso. pro conceito. pro "vestir bem".
é claro que ninguém sai de casa com uma roupa achando que ela é feia.
ninguém compra uma roupa porque ela é feia.
compram - e compro -, às vezes, porque ela é estranha. porque é diferente. só.

estudei em um colégio onde não ter um tênis nike me fez pior - para alguns outros.
estudei em uma faculdade onde não ter um tênis nike me fez melhor - para alguns outros.

não costumo usar salto, maquiagem, roupas de marca ou acessórios chamativos.
uso, sim, uma calça de joaninhas, papete e uma camiseta laranja do willy wonka.

assisti hoje à "coco antes de chanel". o primeiro filme que aluguei com meu novo cadastro em uma nova cidade.

ela odiava domingos.
hoje é domingo.

ela se vestia como um homem. simples. sem exageros.
eu me visto como um homem. simples. sem exageros.

tem certos filmes que caem como uma luva.

quinta-feira, 18 de março de 2010

Este é meu novo "about me" do Orkut.
Posto aqui porque diz um pouco sobre mim. E só, mesmo.

Em outras palavras, esta sou eu, este é meu blog e estou só tirando a poeira.


Às vezes parece que eu tenho 12 anos. Às vezes parece que eu tenho 30. Nunca parece que eu tenho 21.

Quando como alguma coisa que eu gosto, digo que sobreviveria só daquilo. É mentira.
Marco no calendário os dias em que tenho enxaqueca, na esperança de descobrir uma sequência.
Eu falo de roupas e esmalte enquanto assisto a um jogo de futebol.
Eu como, bebo, leio e vejo filmes. Mas não é só isso. Às vezes eu vejo filmes, leio, bebo e como.
Já odiei McDonalds e refrigerante. Hoje peço um Big Mac com uma Coca.
Quando vou a um restaurante japonês, dou orgulho pra mesa.
Adoro assistir a programas de TV ruins. Bem ruins. Horríveis. E dar risada.
Não sei o que vou fazer no dia em que Lost acabar. Não sei mesmo.
Gosto de beber cerveja. De sentar num bar e beber. E rir.
Gosto de falar com as pessoas, mas também gosto de ficar quieta.
Sou culpada e acho sempre que estou errada.
Também não crio expectativa.
Tenho poucos amigos. Pouquíssimos. Mas bons. Boníssimos.
Odeio a palavra "networking". Odeio.
Não ligo pra roupas, sapatos e maquiagem. Não sou hippie. Não sou nada.
Faço mais piada do que deveria. Eu sei.

E essa foi só mais uma delas.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

pela última vez, vai voltar todo meu stress.
vou te contar como será minha quarta-feira.

vou acordar e entrar no orkut, desesperadamente, procurando links para o primeiro episódio da última temporada de LOST.
é o primeiro. é duplo. a internet estará congestionada.

por consequência, todos os links que eu encontrar demorarão para abrir. uma vez abertos, mostrarão uma mensagem dizendo que está expirado.
quando, depois de duas horas de stress e irritação, eu encontrar um link que funcione, o download levará A VIDA. A VIDA.

sem contar elementos surpresas, como acabar a energia, eu puxar um episódio corrompido ou dar um tiro no computador, o processo todo já tomará conta do meu dia inteiro. inclusive psicologicamente. desgaste mental.

mas aí você vê isso...


...e se pergunta: NÃO VALE A PENA????

VALE!!!!!

(créditos do vídeo daqui)

ps.: como dou um SHOW de webdesign, não sei acertar o vídeo na tela. mais fácil clicar nele e ver direto no youtube!

sábado, 9 de janeiro de 2010

tem nego que entra aqui enquanto trabalha.
e o nego gosta de dar risada do que está escrito - mesmo quando não tem a menor graça.

aí, nego, pra você:
(porque só sei contar essa piada)

um pintinho chamado RELAM tinha medo de chuva. cada vez que chovia, RELAM piava.


só que daí, nego, um dia, contando essa piada pra outro nego, eu disse que ia inventar uma.
e inventei. na hora.
ria aí - mesmo não tendo a menor graça.

meu amigo XÔ adorava ver nuvens carregadas no céu. e, quando o céu estava assim, XÔ via.

fecham-se as cortinas.
ainda bem que você não pagou ingresso.

domingo, 20 de dezembro de 2009

Tô numa fase Novos Baianos.
Ouvindo e reouvindo:



O "Novos Baianos F.C" foi lançado em 1973 e conta com a incrível "Sorrir e cantar como Bahia" (faixa 1).
Já o "Acabou Chorare" nasceu um ano antes. Nele, as famosas "Preta Pretinha" (faixa 2) e "Besta é tu" (faixa 8)

Meu vício pode ser meio tardio.
Mas vale a pena ouvi-los mais de uma vez.

domingo, 13 de dezembro de 2009

Quinta-feira. Tarde. Galpão de uma Igreja.
Mesas, muitas mesas. Algumas juntas, outras separadas. Cada uma com sua toalha florida. Pareciam losangos, pela forma como foram colocadas.
Na frente de cada cadeira, em cima da mesa, uma xícara e seu respectivo pires.

- Tem a hora em que elas servem o chá! É de sete ervas! - orgulha-se a vó, que todo ano bate o cartão no "Chá Bingo de Natal".

A primeira sensação quando se chega num lugar desses, com seus 20 e poucos anos, é de que se é um bebê. A outra pessoa tão nova quanto você, ali, deve ter uns 60.

Mas a sensação passa rápido. Volta algumas vezes. E torna a passar.

- Gente, não peçam pra trocar o presente. Vocês devem agradecer por ter ganho e não querer trocar! Se não gostarem, doem para alguma instituição!

O aviso, com cara de bronca, dá o pontapé inicial da tarde.

São quatro rodadas. O convite custou dez reais e elas estavam garantidas ali. Duram a tarde toda. Nos intervalos de cada uma, tem nove jogos. Três cartelas, três reais. Mas quando o prêmio é a mesa e tudo o que tem em cima dela - pratos, copos, panetone... -, o preço sobe. Cinco reais um jogo.

Duas e meia. Cartela A. Começa a primeira rodada. G 56. B 12. I 38...

- Deu aqui!

E é feita a primeira quina.
A segunda.
A terceira.
E quando a senhora que comprou três cartelas para a rodada - e as grudou com fita crepe na prancheta - se levanta para buscar a quarta cesta com presentes, surgem os primeiros comentários críticos.

- Ah, mas é brincadeira, viu? Não dá nem vontade de jogar mais. Não é possível!

Passa o chá. As senhoras servem. Tem com açúcar e tem sem. O adoçante vem junto, caso queiram colocar. Na hora de mirar a xícara, mais cai fora do que dentro da xícara. E são boas as sete ervas!

Cartela B, C, D.

- Aqui!

A sexta cesta. E muitas canetas são jogadas na mesa.

Para quem não conseguiu garantir uma quininha ou uma cartela cheia, só resta o lixão. Nome e telefone no verso de cada cartela, todas numa caixa de papelão e, aí, o sorteio. Mais expectativa, mais frustração.

Gente que sai levando muito. Gente que sai levando nada.
Bem a cara do Brasil.
A diferença é que, no Bingo, tudo é culpa da sorte.