quinta-feira, 26 de novembro de 2009
Na chamada, um Deus nos acuda.
- Marina...
- Qual?
- Aranha.
- Eu!
Num sistema onde o sobrenome vinha antes do nome e os alunos eram classificados por números, sempre fui uma das primeiras.
Andrade ou Almeida vinham antes de mim.
No máximo, em dez anos de colégio, fui número 3.
Eis que, para minimizar o problema das Marinas, uma genial professoora teve uma ideia.
- Aranha...Ma...Maranha!
Ela, que já tinha me dado aula na sexta série, criou ali um apelido que levo como herança desde então.
Na faculdade, onde geralmente criam-se apelidos e se começa uma vida nova, a Maranha ficou. E vai ficando...
Fora também.
A mesma professora me pegou colando em uma "provinha" de duas questões de múltipla escolha. Enquanto passava recolhendo, eu, desesperada, implorei pelas duas respostas.
Recebi.
Achei que não estavam certas. Mas o que entendo de biologia? Era apenas mais uma prova da minha ignorância.
Marquei.
Entreguei.
Zerei.
As provas eram diferentes. E eu contei pra professora tudo isso. Ela riu.
Numa outra prova, trimestral, marquei uma alternativa e percebi que tinha errado. Risquei, marquei outra e escrevi: "essa é a certa!".
Ela considerou. E escreveu: "Ok, Maranha!".
Depois dali, ela me deu aula até o terceiro colegial. Naquele ano, começou a ter dores na coluna e reclamar enquanto andava.
- O que o médico falou, professora?
- Ainda não tem certeza. Preciso fazer alguns exames.
- Pode ser hérnia de disco - tentei diagnosticar -, meu pai teve. Operou, ficou bom! Se for, fica tranquila!
Até hoje os médicos não entraram num acordo sobre o que ela tem.
Há uns seis meses fui no colégio revê-la.
Ela andava na cadeira de rodas, só mexia os braços e a cabeça e tinha um professor auxiliar que escrevia na lousa.
- Vou fazer um tratamento em São Paulo. Tavam me dando a dose errada de remédio. Agora melhorou, mudou a medicação!
O carro dela, adaptado, parava ao lado da sala, e ela ia embora controlando apenas com as mãos.
Hoje ela não dá mais aula. Fica em casa. Só recebo notícias de terceiros, porque alguém me diz que alguém a visitou.
Não sei porque pensei nela ontem, antes de dormir. É fácil ver as coisas mudando na vida dos outros. Mas quando é alguém de perto, dá pra perceber o quanto tudo é frágil. Tudo.
Não sei se por ser filha de professora sempre tive admiração pela maioria dos meus.
Na verdade, enquanto estudava, ODIAVA quando minha mãe parava no estacionamento de funcionários e descíamos juntos.
ODIAVA porque era a morte, pra mim, encontrar algum professor durante o caminho e ter que ir conversando com ele até a sala. Sentia um misto de vergonha com desconforto e não sei mais o quê.
Mas hoje, um pouco mais sã do que com 15 anos, fico feliz em encontrar pessoas que me dêem exemplos profissionais e de vida.
Minha professora de biologia foi uma dessas pessoas. Quando apareceu, eu não sabia bem lidar com "mestres". Mas ela estava presente justamente enquanto eu aprendia.
E eu nem gostava da matéria. Biologia. Nunca entendi direito.
Apesar disso, dava pra perceber que ela é uma das melhores pessoas que eu poderia ter conhecido. Ainda que nosso relacionamento se restringisse às salas de aula.
Obrigada, Sílvia.
Espero que você esteja melhor.
sábado, 17 de outubro de 2009
Miguel e os demônios

E, mesmo depois de organizá-las, acho difícil dizer. Tenho uma relação conturbada com críticas.
segunda-feira, 5 de outubro de 2009
Uso, mas não gosto.
E, não sei porque, preciso atendê-lo rapidamente. Ele toca, eu atendo. Na hora!
Não precisa ser um toque chamativo. Um simples TRIIIIM me faz tirar o telefone do bolso ou da bolsa e atendê-lo i-me-dia-ta-men-te.
Tenho vergonha de ouvi-lo tocar muito tempo.
Não sei qual meu trauma. Sei que ele existe.
Pois bem.
Essa acabou de acontecer. E acho importante relatar.
Tomando café, agora à tarde, com mais três indivíduos.
- Eu não gosto de celular porque ele toca numas horas impróprias. Serve para te acharem quando você não quer...
Pronto. Homens na mesa e um sonoro:
- Hmmmmmmmmmm.
- Er, gente. Falando sério. Agora, por exemplo, enquanto como meu pãozinho com manteiga, odiaria ser interrompida. ODIARIA.
Dá um minuto. Quase exatamente um minuto. Toca meu celular.
- Tá vendo?
Atendi. Saí para falar.
Enquanto falava, ouvi o toque da segunda linha.
Percebem?
terça-feira, 22 de setembro de 2009
Quase nunca isso acontece.
O mundo pode não depender do que você fez.
As coisas podem - e vão - seguir do mesmo jeito. Como sempre.
É você quem vai mudar.
É a sua vida que tá em jogo.
Vez ou outra o que você faz mexe com quem tá do seu lado. Afeta, de algum jeito, alguém.
Mas foi você quem começou.
Tem horas que você só adianta o curso.
Acelera o passo.
E passa adiante.
Por mais certo que pareça, ainda não parece certo.
Mesmo que não seja uma decisão de vida ou morte.
Só de vida. Uma mudança nela.
Eu - falando por mim agora, eu mesma - tenho certeza só da cor do esmalte que gosto.
Mesmo assim, ainda enjôo dele.
Minha comida preferida muda semanalmente.
Minha bebida também.
Meu bar é mensal.
Meu livro é anual.
Já a música preferida dura menos. Dura minutos.
Acho bom isso. Reciclar.
Qual a graça de manter tudo certo, estável, igual, constante?
Seria passar pela vida como passa uma pedra.
Mas o que vem depois?
Ah, isso ninguém sabe.
Ninguém nunca soube. E nem vai saber, enquanto depois não for agora.
E agora...
Quem se importa?
Eu não.
E talvez seja a única.
quinta-feira, 3 de setembro de 2009
De novo, Os Normais!
"Os Normais 2 - A noite mais maluca de todas" me desagrada - supreendam-se! - em alguns momentos.
Para mim, a história do primeiro filme é bem melhor: o enredo, os personagens e as situações. Como esse segundo filme se passa em apenas uma noite, são momentos divertidos de Rui e Vani (Luis Fernando Guimarães e Fernanda Torres), mas não tão amarrados, acho, como no primeiro filme.

Também não sou muito fã da onda de trocadilhos, que tenho a impressão de ter começado durante o seriado "O Sistema", também de Fernanda Young e Alexandre Machado, autores do filme. Acho que poderia ter menos, mas também acho que o excesso não elimina as excelentes tiradas.
Rui e Vani voltam como sempre. Vani, principalmente. Não tem como não rir em cenas como a do hospital e da festa em homenagem à personagem de Danielle Suzuki.
Me diverti e, naturalmente, verei de novo.
Ah, e recomendo, também, naturalmente!
terça-feira, 1 de setembro de 2009
Um, dois, três, japonês.
Dá certa depressão, até, a história. Mas a beleza da forma como é contada transforma o livro num vício. E nada há a se fazer, além de ler de novo.
São duas meninas que se apaixonam na história contada por K., melhor amigo de Sumire.
terça-feira, 11 de agosto de 2009
"Eu sou uma HADEVOGADA"
Uma excelente opção para quem estará por cá, Campinas, em qualquer um dos finais de semana deste mês de agosto.

"Advocacia (segundo os irmãos Marx)" é uma comédia que está em cartaz no Teatro do Parque Dom Pedro Shopping - se é que esse é o nome definitivamente adotado pelo espaço!
Na peça, a Heloísa Périssé faz o papel de Yasmin Robalo, uma "h-a-d-e-v-o-g-a-d-a", como ela mesmo soletra, com uma postura um tanto questionável. O elenco conta com outros cinco atores, que se revezam em mais de vinte papéis!
As cenas da peça, como o próprio título diz, são baseadas em textos dos irmãos Marx - Chico, Harpo, Groucho, Hummo e Zeppo - e rendem risadas do começo ao fim! O elenco é ótimo e, claro, para quem já viu ou não Cócegas, Heloísa Périssé volta na melhor forma possível!
Quem me conhece sabe que, embora eu já tenha visto, voltarei.
Sigam-me os bons!
Lide:
O que? Advocacia (segundo os irmãos Marx)
Quem? Heloisa Périssé, Wilson Santos, Robson Nunes, Alex Moreno, Flavio Baiocchi e Alexandre Pinheiro
Quando? Sábados, às 20h e 22h e domingos, às 19h (até 30/08)
Onde? Teatro do Parque Dom Pedro Shopping
Quanto? R$ 60 aos sábados e R$ 50 aos domingos
